Minha Festa da Música

Lembro-me uma vez, quando criança, de que meus pais me levaram para passear na minha charmosa cidade de Boulogne-sur-Mer, no norte do país, onde assistimos a diferentes espetáculos. Acho que naquele momento a magia da Festa se revelou para mim.

Tenho muitas boas lembranças da Fête de la Musique. Adolescente, como público ou como músico, participei de todas as edições da Festa que, do meu ponto de vista, é uma grande festa popular, um dia de troca de ideais, de encontros e, sobretudo, de muita alegria.

No meu país, o dia 21 de junho é o dia no qual cada músico, tanto profissional quanto amador, pode se expressar, sem precisar organizar um espetáculo. Geralmente, as bandas jovens e amadoras se apresentam em frente de casa tocando covers, tanto do melhor quanto do pior jeito! Além disso, as prefeituras francesas costumam organizar um show com bandas profissionais e famosas para atrair mais gente e fazer desse dia uma festa maior ainda.

A grande particularidade da Fête de la Musique é a ausência de cachê para os músicos e de pagamento de direitos autorais, colocando assim a música ao alcance de todos. Outra característica é que ninguém pode reclamar de transtornos sonoros, deixando assim a música reinar em todos os cantos da cidade, até nos lugares mais insólitos!

Desde sua criação, a Fête de la Musique ultrapassou as fronteiras francesas para chegar a quase 500 cidades, em mais de 100 países do mundo, para celebrar juntos a música. Eu já participei duas vezes da Fête de la Musique fora da França: a primeira foi em 2006, em Beirute (Líbano), com a banda francesa Babylon Circus. Fomos recebidos pelo centro cultural francês num palco em um dos maiores largos da capital: Riad el-Solh, pertinho do parlamento libanês. Depois desse show, saímos para uma turnê no Líbano e na Síria em um projeto com centros educativos. O segundo foi em 2008, em Belgrado (Sérvia), com a artista americana Brisa Roché. Um palco foi instalado no coração do maior parque da cidade, ao lado do rio Danúbio. Nos dois países, eu senti que os organizadores trabalhavam sobretudo pelo amor à música!

Participando esse ano da versão carioca da Fête de la Musique, quero transmitir seus valores e continuar reverenciando essa prática artística, que hoje faz parte de meu cotidiano como produtor cultural.

Grégory Evrard
Francês, morador de Santa Teresa
e produtor voluntário do Festival Santa Música.